Notícias
No Dia Mundial da Saúde, ações desenvolvidas no Estado evidenciam a relação entre coleta, tratamento de esgoto e qualidade de vida
No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, o saneamento básico se destaca como uma das estratégias mais eficazes para a prevenção de doenças e a promoção da qualidade de vida. Em Mato Grosso do Sul, investimentos em infraestrutura e educação sanitária têm ampliado os impactos positivos sobre a saúde pública, ao reduzir riscos de contaminação e fortalecer a prevenção.
Para a médica infectologista, Mariana Croda, mestre e doutora em saúde pública e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a falta de saneamento aumenta o risco de doenças infecciosas, especialmente as de veiculação hídrica, como diarreia, hepatite A leptospirose, parasitoses e arboviroses. Segundo ela, os efeitos são ainda mais relevantes em um estado como Mato Grosso do Sul, onde a melhoria das condições sanitárias contribui para proteger populações mais vulneráveis e reduzir enfermidades em áreas urbanas e rurais.

Atualmente, a Ambiental MS Pantanal, concessionária responsável pela coleta e tratamento de esgoto no Estado, trata cerca de 33,6 milhões de metros cúbicos de esgoto por ano. Além da ampliação da infraestrutura, a empresa também investe na capacitação de Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias, em uma estratégia que busca aproximar a informação técnica do cotidiano das famílias e fortalecer o uso correto da rede.
A iniciativa já capacitou cerca de 300 profissionais. Em Ponta Porã, onde o projeto começou em julho de 2024, a concessionária aponta melhora de indicadores locais, com redução nas hospitalizações por dengue e chikungunya, queda nos casos de diarreia aguda e diminuição na incidência de extravasamentos por quilômetro de rede.
“Universalizar não é só construir; é manter o sistema funcionando bem”, afirma o diretor-presidente da Ambiental MS Pantanal, Gabriel Buim. Segundo ele, a capacitação em municípios já universalizados é essencial para preservar os investimentos e ampliar os benefícios do saneamento ao longo do tempo.
Na prática, os agentes reforçam orientações durante visitas domiciliares e atendimentos nas unidades de saúde, com foco no descarte correto de resíduos e na prevenção de problemas como entupimentos e extravasamentos. Em cidades com rede recente, como Brasilândia, a ação também tem ajudado a esclarecer dúvidas da população sobre o uso adequado do sistema.
“Em Brasilândia, a capacitação trouxe mais segurança para que as equipes orientem a população. Após o treinamento, intensificamos a distribuição de panfletos informativos fornecidos pela concessionária”, afirma Jones Moreira, supervisor dos Agentes de Combate às Endemias no município. “Como a rede de esgoto é nova aqui, ainda existem muitas dúvidas sobre o uso correto”, completa.
A agente Maria Aparecida Uchôa destaca que o material facilita o diálogo com os moradores. “O panfleto abre a conversa e ajuda a esclarecer dúvidas na hora. Reforçamos, principalmente, o que não pode ser descartado na rede de esgoto”, diz.
As capacitações orientam que apenas efluentes domésticos devem ser direcionados à rede, evitando o descarte de água da chuva, óleo, fraldas e resíduos sólidos, que podem provocar entupimentos, sobrecargas e extravasamentos.
